Identidade e Alteridade

Um dos princípios fundamentais da alteridade é que o homem na sua vertente social tem uma relação de interação e dependência com o outro. Por esse motivo, o “eu” na sua forma individual só pode existir através de um contato com o “outro”.

Quando é possível verificar a alteridade, uma cultura não tem como objetivo a extinção de uma outra. Isto porque a alteridade implica que um indivíduo seja capaz de se colocar no lugar do outro, em uma relação baseada no diálogo e valorização das diferenças existentes. Por essa definição alteridade teria o mesmo significado de empatia?

Empatia é a ação de se colocar no lugar de outra pessoa (emocionalmente, buscando entender os motivos pelos quais a pessoa age dessa ou daquela maneira (de acordo com circunstâncias específicas).

Alteridade é a forma como se observa e se reconhece a diferença no/do outro. Entender (racionalmente) o que torna esse outro diferente. O conceito de alteridade refere-se ao processo de interação e socialização no convívio do “eu” e o “outro”.

Para o sociólogo francês Claude Dubar, a identidade de alguém é aquilo que ele tem de mais particular. O indivíduo a constrói pelos processos de socialização (primária e secundária), inicialmente pela família e, posteriormente, por grupos sociais (na escola, nos clubes, no trabalho etc.). De maneira que, as identidades podem ser observadas em duas temporalidades, a identidade para si e a identidade para os outros.

Relembrando:

Processos de socialização e construção de identidade

alteridade expressa e determina a qualidade, estado ou características do outro, ou seja, aquilo que é diferente daquilo que vivemos. A relação entre o eu e o outro é definida então pelo conceito de alteridade. No conceito antropológico o eu só pode ser entendido a partir da interação com o outro (socialização). Por isso, o processo de diferenciação estabelecido entre o eu e o outro é importante para a definição do entendimento do que eu sou, do que o outro é e portanto, do que não sou. Com isso, a partir do entendimento dessas noções é que se firmam as diferenças entre o eu e o outro.

Mais um reforço?

Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o mundo está cada vez mais fragmentado. A tendência atual é a do individualismo, um estilo de vida que leva ao egoísmo. Nesse sentido, a alteridade encaixa-se em momentos de coletividade, dando lugar à tolerância.

Como exercer a alteridade?

Imagine que imigrantes e refugiados comecem a entrar em seu país, passando a habitar a sua cidade. Exercer a alteridade, nesse caso, é reconhecer que aquelas pessoas sofreram e que elas saíram de suas terras natais porque foram obrigadas ou porque queriam levar uma vida digna. Exercer a alteridade, nesse caso, é acolher e oferecer o apoio possível a elas.


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