A partir deste bimestre trataremos da Geografia das religiões. Além de conhecer a história de origem das principais religiões do mundo atual (em números de adeptos) buscaremos exercitar a prática da alteridade, isto é, reconhecer a diferença do outro. Para tanto, primeiramente vamos observar que a tolerância é  funda­mental para o conhecimento do outro que é diferente de nós.  Geralmente,  a  intolerância  é  a  expressão  do preconceito  em  relação  ao  outro  que  é  diferente. O preconceito também é fruto do desconhecimento ou  de  um  deturpado  ou  falso  conhecimento  da realidade  do  outro. O etnocentrismo  (etno:  cultura; centrismo:  ter  como  centro)  é  a  tendência  ou  a atitude  de  considerar uma dada cultura ou  religião como  a  medida  de  todas  as  outras.  Ao subestimar a cultura ou a religião do outro e, sobretudo, quando avaliamos a cultura ou a religião do outro a partir da nossa a prática do etnocentrismo.

É necessário pontuar que apresentaremos alguns mitos de origem, seguiremos livros sagrados que apresentam histórias para explicar o nascimento de algumas religiões, não há indícios arqueológicos da existência de Abraão e de seus descendentes. Contudo, esses mitos de origem representam duas das religiões com o maior número de adeptos do mundo.

Abraão (por volta de 1800 a. C.) foi um patriarca bíblico, que recebeu de Javé (Deus) a missão de chefiar os povos semitas (os hebreus, ou israelitas, ou judeus) e migrar para Canaã, terra dos cananeus, depois chamada de Palestina, onde hoje se localiza o Estado de Israel. Segundo a bíblia, Abraão recebeu um chamado de Deus: “Sai-te da tua terra, do meio de seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que lhe mostrarei. Eu farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, de modo que se torne uma benção. Abençoarei os que abençoarem você e amaldiçoarei aqueles que o amaldiçoarem. Em você, todas as famílias da terra serão abençoadas”.

Abraão era casado com Sara, mas não havia gerado descendentes. Ainda segundo a bíblia, para ajudar Abraão a cumprir a orientação divina, Sara pede que Abraão se relacione com a sua serva egípcia, de nome Agar. Desse encontro nasceu Ismael. Posteriormente, Sara engravidou de Abraão e eles tiveram um filho que recebeu o nome Isaac. A partir do nascimento de seu filho com Abraão, Sara demanda a expulsão de Agar e Ismael. De acordo com o Antigo Testamento, Deus (Javé) testa a fé de Abraão com o pedido de sacrifício de seu primogênito com Sara. Prestes a provar a sua fidelidade Abraão é impedido pela presença de um anjo que diz: “Não estenda a mão contra seu menino, não lhe faça nenhum mal, agora sei que você teme a Deus”.

Após Abraão, a liderança passou para Isaac, seu filho, e depois para Jacó, que acabaria por ter seu nome mudado para Israel, e cujos doze filhos dariam origem às doze tribos de Israel.

Acredita-se que por volta de 1.700 a.C. os hebreus se transferiram para o Egito fugindo de uma seca intensa, estabelecendo-se no delta do rio Nilo sob proteção dos hicsos (reis pastores), povo que conquistou o território, recebendo uma série de benefícios. Com o fim do domínio hicso, os hebreus acabaram por ser transformados em escravos. Contudo, por volta do ano 1.250 a.C., liderados por Moisés (descendente dos hebreus) retornariam à Palestina, no acontecimento que ficou conhecido como Êxodo (emigração de todo um povo ou saída de pessoas em massa). Nesse processo, os hebreus teriam recebido de seu Deus, Javé (Jeová), a sua base de leis, conhecida como os Dez Mandamentos. É nessa época que começa a se consolidar o monoteísmo hebraico.

Ainda sobre a descendência de Isaac nasce uma outra ramificação monoteísta: o cristianismo. Jesus Cristo é a figura principal do Cristianismo. A vida de Jesus é tão determinante para a humanidade ocidental que a contagem de tempo foi contabilizada a partir de sua figura e praticamente dois milênios historicamente apontávamos a.C. e d.C (antes e depois de Cristo). Atualmente, especialmente em concordância ao Estado laico, utilizamos a expressão Antes da Era Comum (AEC) e Era Comum (EC). Jesus Cristo é entendido como “Filho de Deus”, enviado ao mundo para salvar a humanidade, que foi crucificado, e ressuscitou. Sua trajetória é contada na Bíblia e, de acordo com as escrituras sagradas ele nasceu em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, e foi criado na região de Nazaré, por isso também é chamado “O Nazareno”. Seu nome tem origem hebraica Yeshua, (Javé/Jeová), e possui referência no grego como Iesous (Jave Salva). Quando Jesus Cristo tinha por volta de 30 anos começa o seu ministério, a partir dessa sua jornada são registrados os princípios éticos e morais da religião que será conhecida como cristianismo. As nomenclaturas de igrejas e pequenas adaptações culturais não divergem da máxima cristã de “amar ao próximo como a si mesmo”.

Considerado um dos principais símbolos da religião, a lua crescente com a estrela representam a soberania e dignidade, renovação da vida e da natureza, fazendo referência ao calendário lunar, que rege a religião islâmica. A estrela indica ainda, os cinco pilares da religião: oração, caridade, fé, jejum e peregrinação.

Já a descendência de Ismael daria origem aos povos árabes. Segundo a bíblia: Disse-lhe ainda o Anjo do Senhor: “Você está grávida e terá um filho, e lhe dará o nome de Ismael, porque o Senhor a ouviu em seu sofrimento. Ele será como jumento selvagem; sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele, e ele viverá em hostilidade contra todos os seus irmãos” (Gênesis 16:11, 12). Alguns estudiosos indicam que este excerto indicaria o conflito entre judeus e muçulmanos (islam).

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