O geógrafo Milton Santos (1926-2001) deixou como um dos seus principais legados teóricos, a noção de meio técnico-científico-informacional, correspondente à evolução dos processos de produção e reprodução do meio geográfico. Para compreender o seu conceito, é necessário entender a evolução das transformações do espaço, que vão desde o meio natural, passando pelo meio técnico, até chegar ao período atual, em que há uma maior inserção das ciências e do meio informacional sobre as formas com que as produções espaciais ocorrem. Portanto, as três etapas mencionadas formam uma periodização do meio geográfico, conforme a sua apropriação pelas atividades humanas.

Meio Natural

O meio natural seria o estágio inicial do processo de produção das atividades humanas. Nesse longo período que marcou o início e a formação das primeiras civilizações, bem como o avanço de todas as sociedades pré-industriais ou não industrializadas, as práticas sociais eram inteiramente dependentes do meio natural. O principal marco das primeiras ações antrópicas foi a Revolução Agrícola (Revolução neolítica ou Transição Demográfica). A interferência do ser humano sobre o ambiente era de pouco impacto, para fins de sobrevivência, a capacidade de recomposição da natureza era maior. Todavia, com o desenvolvimento das sociedades e a invenção da moeda o impacto negativo sobre a natureza trouxe um cenário de preocupação para o momento atual, especialmente, acerca da limitação de recursos existentes e dos efeitos nocivos ao meio ambiente (poluidores).
 

Meio Técnico

Com o passar do tempo, as técnicas e os objetos técnicos progrediram consoante o conhecimento humano, possibilitando as duas primeiras revoluções industriais e a maneira que nós nos relacionamos com o meio à volta. Um novo tipo de sociedade, mais dinâmica, urbana passa a ser a realidade de parcela significativa do mundo. Nos dias de hoje mais da metade da população mora em cidades. O espaço transformou-se em um espaço mecanizado, dotado de uma gama cada vez mais ampla de bens artificiais e mecanizados, em vez de simplesmente culturais. O processo operacionalizado pelo emprego desses novos instrumentos representam para o operariado, segundo Milton Santos, “já não são prolongamentos do seu corpo, mas que representam prolongamentos do território, verdadeiras próteses”.

Meio Técnico-Científico-Informacional

Atualmente, diz-se que estamos vivenciando não mais um meio puramente mecanizado ou tecnicista, mas um meio também marcado pela maior presença das descobertas científicas e das tecnologias da informação, o meio técnico-científico-informacional. Ele representa, sobretudo, o período que se manifestou de maneira mais acabada a partir dos anos 1970 como consequência da Terceira Revolução Industrial, também conhecida como Revolução Técnico-Científica-Informacional.
  

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