A RELAÇÃO DE PODER ENTRE INDIVÍDUO E ESTADO

A relação INDIVÍDUO X ESTADO,

Existem diversas teorias sobre as causas da relação entre os seres humanos, dentre elas aquelas que afirmam que nos agregamos uns aos outros por natureza, e que encontramos nossa razão de ser na vida em sociedade, que por diversas razões passa a ser o local de desenvolvimento de ideias, comportamentos e aspirações por melhores condições de vida. O Estado surge como consequência dessa vida social. Um ente que assume o controle do convívio social e passa a ditar as regras para que tal existência comum dos indivíduos seja minimamente “sadia”.

Nessa lógica que o termo “contrato social”  surge como uma metáfora usada pelos filósofos contratualistas para explicar a relação entre os seres humanos e o Estado. Esta figura de linguagem foi utilizada especialmente pelos Filósofos contratualistas.

O CONTRATUALISMO

O contratualismo é um modelo teórico criado para explicar o surgimento da sociedade. Esta teoria é baseada na ideia de que os seres humanos viviam em um estado pré-social, chamado de estado de natureza e abandonaram-no para firmar um pacto, o contrato social, esse modelo surge da necessidade de explicar o fato dos seres humanos terem se organizado em torno de sociedades regidas por leis criadas pelo Estado.

Os pensadores que desenvolveram essa escola de pensamento são conhecidos como filósofos contratualistas. Os contratualistas afirmam que antes do contrato social, todos os seres humanos eram livres e iguais, vivendo de acordo com as leis da natureza. Entretanto, vão firmar um pacto social e abandonar a sua liberdade natural para a construção de uma sociedade que lhes garantam o direito à propriedade.

Assim, o contratualismo vai representar o abandono da liberdade natural o surgimento da liberdade civil submetida às leis. O Estado nasce com a função de formular leis às quais todos os indivíduos devem seguir. Os principais teóricos do contratualismo foram: Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau.

E QUEM SÃO ELES?

Hobbes e o contrato social como garantia da paz

Thomas Hobbes (1588-1679)

Para Hobbes, o ser humano guiado por sua tendência natural à violência, em estado de natureza estava em uma constante guerra de todos contra todos.

O contrato social hobbesiano surge por medo de uma morte violenta. Assim, decide-se abrir mão da liberdade natural em favor de um Estado que possa garantir a paz e a segurança para seus cidadãos.

Locke e a liberdade baseada nas leis

John Locke (1632-1704)

Locke refutou a teoria de Hobbes sobre um estado de guerra constante. Para ele, não há um estado de guerra, mas os seres humanos são naturalmente egoístas e que esse egoismo leva a disputas de interesses.

Locke é conhecido como o “pai do liberalismo. Ele afirmou que os seres humanos possuem o direito natural à propriedade e o Estado deve agir como garantidor desse direito.

Para resolver os litígios gerados por interesses rivais, deve haver um poder mediador ao qual todos devam estar submetidos.

O contrato social representa a aceitação e validação do poder mediador do Estado em sua capacidade de garantir a liberdade e o direito à propriedade baseada nas leis.

Rousseau e o bem comum

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)

Rousseau é um contratualista que possui uma visão bastante distinta de seus antecessores. Rousseau defendia que o estado de natureza era um período pacífico e que o ser humanos é naturalmente bom.

Segundo ele, o ser humano seria um “bom selvagem”. Em seu estado natural, os seres humanos viveriam em harmonia entre si e com a natureza, como fazem os outros animais.

Entretanto, o surgimento da propriedade privada gerou uma desigualdade entre os indivíduos e, consequentemente, um ambiente de tensão entre os possuidores os não possuidores de terras.

Para a resolução desse problema, firma-se o contrato social para que o Estado possa garantir a manutenção do direito à propriedade e a regulação de toda a sociedade.

Assim, o Estado surge como uma ferramenta a serviço dos cidadãos com o objetivo de seja respeitada a vontade geral e coibida a ação por interesses particulares.

A APROPRIAÇÃO DA TÉCNICA COMO PRODUTORA E REPRODUTORA DOS ESPAÇOS

A partir da Teoria do Indivíduo e da relação deste com o Poder bem como a figura do Estado, buscamos entender de que forma o espaço é produzido pela sociedade urbana, partindo da concepção de que o espaço é produzido a partir de relações sociais de produção marcadas pela atuação dos atores sociais em uma perspectiva da apropriação da técnica e de como esse domínio influencia na produção e reproduções dos espaços percorridos e vividos.

O “urbano” é entendido como condição geral de realização do processo de reprodução do capital, além de produto desse processo. O urbano, portanto, é visto aqui, principalmente, como “produto de contradições emergentes do conflito entre as necessidades da reprodução do capital e as necessidades da sociedade como um todo”

O espaço urbano do capitalismo, portanto, reflete uma contradição fundamental, que se expõe claramente na forma urbana: o conflito de interesses entre o capital e o social. Assim, o espaço geográfico, é visto como produto de relações baseadas na apropriação da técnica e na divisão do trabalho, ou seja, na produção material do indivíduo, na forma como buscamos na natureza os meios de existência. Ocorre, portanto, em um determinado momento histórico,
fundamentado na acumulação técnico-cultural e em uma relação dialética entre o velho e o novo, sendo este um processo de produção e reprodução.

Para exemplificar essa relação e tudo ficar mais fácil de entendermos, faremos agora um paralelo com o filme “METRÓPOLIS”:

Maria sendo clonada

A narrativa de “Metrópolis” ocorre em 2026, numa sociedade capitalista autoritária e dicotômica: a elite habita o nível superior, o que lembra o Paraíso cristão, e os trabalhadores habitam o nível inferior, completamente consumidos pelas máquinas e o sistema opressor. Além disso, há o nível intermediário, onde pode-se observar a grande cidade, carros e outros elementos urbanos.

Em uma espécie de Romeu e Julieta de classes, Freder (Gustav Fröhlich), o filho do Senhor de Metrópolis, se apaixona por Maria (Brigitte Helm), líder dos operários que os motivava a buscar o mediador entre os níveis e habitantes da cidade. Ao saber disso, o pai de Freder, Joh Fredersen (Alfred Abel), encomenda um robô capaz de imitar perfeitamente Maria para acabar com seus discursos motivacionais e impedir o romance dos dois jovens.

Maria é sequestrada para que ocorra tal clonagem e aqui está um dos estereótipos mais famosos dos filmes de ficção científica: o cientista maluco. Rotwang (Rudolf Klein-Rogge) é o inventor que se propõe a criar um robô humanoide que seja capaz de imitar com perfeição as características humanas de Maria. Com o sucesso da clonagem, a robô assume a posição de Maria mediante os trabalhadores. Em seguida, começa a incitá-los a fazer uma revolução armada, explicando-lhes que as máquinas os consomem vivos. O veredito dos revolucionários é então matar as máquinas. Dessa maneira, a trama aborda o tema da luta de classes com grandeza.

A dicotomia revelada entre a Maria verdadeira e a Maria clonada é um dos elementos mais bem trabalhados no filme e no expressionismo alemão. Ao ver o discurso da robô, pregando o assassinato e violência e não mais a paz, Freder a acusa de não ser a verdadeira Maria. Tal acontecimento faz com que os trabalhadores, já com os nervos muito aflorados, partam para cima dele. A partir desse momento, a narrativa ganha um tom caótico, como se fosse possível perceber que a cidade, tida sempre como viva, estava entrando em colapso.

Posteriormente, Maria se depara com o início de uma inundação, tida como apocalipse. Aliás, uma das cenas mais fortes do filme vêm a seguir: centenas de crianças correm o risco de morrerem afogadas se Maria não for capaz de levá-las para a superfície. Depois de minutos de tensão, com a ajuda de Freder, as crianças são salvas. Em seguida, dão espaço para mais um ponto alto do filme: a perseguição à Maria, tida agora como bruxa, já que incitou tanta desordem e trouxe a morte para a cidade.

O filme termina com a revelação do mediador que Maria tanto pregou para os trabalhadores em seus discursos de motivação e paz: o coração. A máxima “o mediador entre o cérebro e as mãos deve ser o coração” surge quando Freder media à união entre os trabalhadores e seu pai, representada por um aperto de mão.

ASSISTA, NA ÍNTEGRA, AO FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA MAIS IMPORTANTE E INFLUENTE DE TODOS OS TEMPOS “METRÓPOLIS”

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