O sociólogo alemão Max Weber é um dos principais teóricos da sociologia e ocupa, junto a Émile Durkheim e Karl Marx, uma das bases da chamada tríade da sociologia clássica. Weber fundou um método de estudo sociológico baseado no que ele chamou de ação social e produziu estudos profícuos para a compreensão da formação do capitalismo. O livro mais difundido de Weber é A ética protestante e o espírito do capitalismo, em que ele analisa a proximidade da formação do capitalismo com a disseminação do protestantismo.

VEJA ESTE VÍDEO SOBRE SUA OBRA “A ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO”

Observamos então que os principais objetos de estudo de Weber na sociologia foram o capitalismo e o protestantismo, levando o sociólogo a desenvolver uma sociologia da teologia. A visão weberiana do capitalismo era diferente da visão marxista. Enquanto Marx via no capitalismo a exploração do proletariado pela burguesia, Weber encara-o como o fruto de um ideal, o ideal do capitalismo. Como um ideal, o capitalismo promovia uma espécie de racionalização do trabalho e do dinheiro, sendo sustentado pela prosperidade e pela capacidade cada vez maior de gerar dinheiro.

Max Weber foi profundamente influenciado pela filosofia de Immanuel Kant sustentada pelo idealismo. Para Kant, o plano das ideias e conceitos deveria pautar todo o trabalho filosófico, que partiria da prática para chegar aos conceitos mais puros e a priori (anteriores a qualquer vivência material). Weber acreditava que o capitalismo originava-se com um ideal, com um espírito, e a partir disso, esse sistema ia sendo construído na prática. Com base nesse ideal, surgiu a noção de administração como ciência capaz de promover o crescimento do capital.

Para escrever A ética protestante e o espírito do capitalismo, Weber leu o texto Conselho a um jovem comerciante, de Benjamin Franklin. Com base nesse texto, que expressa a noção que ficou conhecida como um bordão de Franklin, time is money (tempo é dinheiro), e da observação de nações europeias e dos Estados Unidos, Weber elaborou a teoria que dizia que o capitalismo teria sido aprimorado com o protestantismo, em especial o calvinista (em nações como a Inglaterra e os Estados Unidos). Para Franklin, o dinheiro deveria ser movimentado e ampliado, e essa ampliação dava-se como ensinava a tradição calvinista, por meio do trabalho.

Para os calvinistas, havia uma noção de predestinação (trabalhada por Weber como hipótese a ser considerada) que dizia que o homem já nascia predestinado ao paraíso ou ao inferno. A maneira de saber se determinada pessoa iria para o céu era medir o seu sucesso no trabalho e a sua resistência ao pecado. Como pecado, os calvinistas incluíam as diversões fúteis, como festas e luxo, além do ócio e da preguiça.

O homem de valor para os calvinistas era aquele que trabalhava muito, o máximo que o seu corpo aguentasse, e não se entregava aos prazeres da vida, acumulando assim cada vez mais dinheiro. Para as outras vertentes protestantes, há uma ideia geral bem semelhante a essa de valorização do trabalho e de fuga dos prazeres.

Isso fez com que Weber enxergasse a diferença de desenvolvimento econômico entre nações predominantemente protestantes que se tornaram as maiores potências econômicas (Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos) e nações predominantemente católicas que não tiveram tanto crescimento econômico, como Espanha, Portugal e Itália.

A ideia do teórico político e estadista estadunidense Benjamin Franklin estava sustentada no ideal calvinista, e o aumento do dinheiro por meio do trabalho e da fuga do ócio e dos prazeres parecia ser uma hipótese bem plausível para Weber, no sentido de medir o sucesso de uma pessoa. Era esperado de alguém que conseguisse ganhar dinheiro multiplicá-lo para mostrar o seu valor pessoal e moral.

A ética, nesse sentido, era uma prática voltada para um modo de agir que fugisse de qualquer distração e de qualquer pecado e que procurasse no trabalho o maior meio de chegar-se a Deus. Por isso Weber ficou tão frustrado durante um tempo de sua vida em que não conseguia obter sua sustentação financeira e sentiu vergonha do tempo em que foi acometido pela depressão e não conseguiu trabalhar.

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Ação social de Max Weber

Para a metodologia sociológica, Weber contribuiu formulando a sua teoria da ação social. Segundo o sociólogo, era necessário que o pesquisador fosse dotado de uma neutralidade axiológica, ou seja, de uma neutralidade em relação ao seu objeto de estudo. Com base em uma análise neutra e imparcial, o sociólogo deveria identificar as ações sociais dos sujeitos e classificá-las. Nisso, Weber discorda do método de Durkheim, que visa buscar fatos sociais que se repetem em todas as sociedades e são invariáveis.

Para Weber, as ações individuais é que forneciam o material necessário para chegar-se a um estudo válido. No entanto, por serem as ações sociais tão vastas e diversas, o sociólogo deveria buscar um padrão de correção para que o seu trabalho tivesse uma validade científica e um respaldo metodológico.

Esse padrão de correção estava localizado no que Weber chamou de tipos ideais, que eram balizas para estabelecer-se qualquer comportamento padrão. Como ideais, esses tipos são perfeitos e imutáveis, não existindo na prática. Nessa se encontram as ações que poderiam afastar-se ou aproximar-se dos tipos ideais.

Weber separa e classifica as ações sociais em quatro tipos. São eles:

  1. Ação social racional com relação a fins: é um tipo de ação pensada e calculada para atingir alguma finalidade. Por exemplo, casar-se para constituir uma família. A ação social é o matrimônio e a finalidade dessa ação é a constituição da família.
  2. Ação social racional com relação a valores: é um tipo de ação social pensada e calculada para atingir algum tipo de valor moral, ou visando como fundo a moralidade. Por exemplo, fazer o que a moral considera certo, como não roubar.
  3. Ação social tradicional: não é racional e nem calculada. Consiste numa forma de agir de acordo com a tradição, respeitando o que a sociedade considera como o que deve ser feito. Retomando o exemplo do matrimônio, seria casar-se porque a sociedade impõe o casamento como uma tradição que deve ser seguida.
  4. Ação social afetiva: não é racional. Ela segue os afetos e as paixões, os sentimentos e as afecções. É o tipo de ação motivada por sentimentos, como amor, paixão, medo.

VEJA O VÍDEO ABAIXO PARA ENTENDER MELHOR SOBRE A TEORIA DA AÇÃO SOCIAL PARA WEBER

“A POLÍTICA COMO VOCAÇÃO”

NO CAMPO DA SOCIOLOGIA POLÍTICA DESENVOLVEU A “TEORIA DA DOMINAÇÃO”

ATENÇÃO:

A Teoria da dominação de Max Weber fala dos modos de poder existentes. Separando em três tipos de poder ou dominação exercidos que lhes conferem alguma legitimidade:

  1. A dominação legal: ocorre por meio das leis. É o poder exercido por aqueles que a lei permitiu exercê-lo, como os representantes dos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, no caso de nossa República.
  2. A dominação tradicional: justifica-se pela tradição. Por exemplo, em uma sociedade patriarcal, o pai exerce o poder autoritário dentro da família e respalda-se na tradição para exercitá-lo.
  3. A dominação carismática: é exercida por lideranças carismáticas, que têm o dom de atrair o apoio das massas com seus discursos, como de maneira mágica. Temos vários exemplos desse tipo de liderança na história mundial, como Hitler, Mussolini, Getúlio Vargas e Fidel Castro.

ASSISTA A ESTA LIVE SOBRE OS TIPOS DE DOMINAÇÃO PARA WEBER:

AINDA SOBRE A TEORIA DE M. WEBER, VAMOS ENTENDER UM POUCO SOBRE SUA NOÇÃO DE BUROCRACIA:

PARA entendermos o que é BUROCRACIA, precisamos primeiro desvincular o conceito popular de burocracia, que se refere à uma estrutura emperrada, geralmente encontrada em instituições públicas. PARA WEBER o conceito de burocracia é outro: como solução para que as organizações evitem arbitrariedades.

Weber define a burocracia como a estruturação formal da organização, permitindo, dessa forma, organizar as atividades humanas para a realização de objetivos comuns no longo prazo. Essa definição de Weber foi fundamental para outros estudiosos fora da área da administração interpretassem melhor as organizações.

Para Weber, a ideia de burocracia está intrinsecamente ligada ao conceito de autoridade. Segundo ele, existem três formas de autoridade:

  • Autoridade tradicional: baseada em tradições e costumes e práticas passadas de uma cultura. Pode ser encontrada nas figuras dos patriarcas e anciões, principalmente das sociedades antigas, apesar de ainda hoje existirem. Nesse caso, a legitimidade da autoridade é assegurada pelas tradições religiosas, crenças e costumes sociais. Acredita-se que ela é sagrada.
  • Autoridade carismática: baseada nas características físicas e/ou de personalidade do líder em questão. Os seguidores reverenciam seus feitos, sua história e qualidades pessoais. A autoridade carismática tem como desvantagens o fato de poder ser passageira, uma vez que se segura no reconhecimento por parte do grupo e por não deixar sucessores certos.
  • Autoridade racional-legal: é aquela garantida por regras e normas oriundas de um regulamento que é, por sua vez, reconhecido e aceito pelo grupo. Aqui, deve-se seguir os comandos da pessoa que ocupa o cargo, independente de quem seja. A autoridade está no cargo e não na pessoa que o exerce.

Weber acreditava que a autoridade racional-legal era a mais adequada para o ambiente corporativo, uma vez que não é personalista como as outras duas formas.

Através desse modelo de autoridade surgiria, conforme Weber, o tipo de organização à qual ele deu o nome de Burocrática. Essa organização apresentaria os seguintes princípios essenciais:

  • Divisão de funções e tarefas feita de forma racional, sustentando-se rigorosamente em regras e normas específicas com o objetivo de permitir a execução das atividades necessárias para se alcançar os objetivos da organização;
  • Hierarquia definida por regras explícitas. Os direitos e deveres de cada cargo, bem como o exercício da autoridade (racional-legal) e seus limites sustentam-se legalmente;
  • A contratação de funcionários é realizada baseando-se em regras previamente estabelecidas, visando garantir igualdade formal. Somente um indivíduo com preparo técnico adequado segundo quesitos pré-estabelecidos poderia se juntar ao quadro funcional da empresa;
  • Equiparação salarial para o exercício de posições e funções semelhantes;
  • Avanços na carreira são regulados por normas e critérios objetivos. O favoritismo e as relações pessoais não são levados em consideração;
  • Separação total entre função e as características pessoais da pessoa que a exerce;
  • Regras e normas que ditam os direitos e deveres devem ser seguidas por todos, conforme o cargo e a função.

PARA FECHARMOS, VAMOS CONSTRUIR JUNTOS UM MAPA MENTAL SOBRE LEGITIMIDADE E A DOMINAÇÃO EM MAX WEBER?!?! O VÍDEO ABAIXO IRÁ NOS AJUDAR A CONSTRUIR ESSE MAPA MENTAL E FACILITAR NOSSA COMPREENSÃO:

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