Para pensar sobre a juventude, precisamos pensar também a infância e a velhice. Essa reflexão sobre o tempo é necessária, afinal, nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos. Às vezes, ocorrem algumas oscilações nesse ciclo!

A juventude é entendida como um fenômeno complexo, que está sempre se reconstruindo, tendo seu início e seu fim demarcados pelo contexto histórico, não apenas como uma fase da vida. Ela constitui um momento da vida, mas não se reduz a ele, sendo parte de um amplo processo de constituição de sujeitos, repleto de especificidades que deixaram suas marcas em cada um. Este processo não é linear e esta é uma característica da condição juvenil hoje.

A diversidade cultural juvenil se torna produtora de territorialidades, através das diversas formas de apropriação do espaço urbano. Assim, o lugar dos jovens representa mais do que os limites, representa também as possibilidades para suas vivências. Nessa concepção, o território passa a ser visto como elemento de “formação das identidades sociais”

A problematização da temática juventude dentro da abordagem territorial pode estar associada às políticas públicas, então a expressão território apenas aparece no sentido de delimitação da área de atuação dessas politicas. O território constituído a partir das relações de poder é utilizado para a compreensão da organização dos grupos sociais como possibilidade de reflexão sobre a construção de identidades e do próprio lugar. Este território é marcado por conflitos, permanências, negociações por espaço, tanto entre distintas culturas juvenis como entre os grupos geracionais.
Nesse sentido, o próprio território pode ser marginalizado, uma vez que sua população “fica à margem do processo de capitalização”. Entretanto, é fundamental que o fenômeno da exclusão também seja analisado através da inclusão precarizada, pois “um grupo social poder estar submetido a determinadas formas de privação material e, ainda assim, ter outras formas de inclusão na sociedade”, entre as quais se destacam nos textos, as artes, o trabalho e os movimentos sociais.


Esta dimensão simbólica do território pode ser observada, como manifestação identitária, produção e significação do espaço, pois é no território que ocorre a vida cotidiana, onde está a essência dos seres que habitam o lugar e onde se constroem e reafirmam as identidades, indicando o território como espaço de produção e de manifestação, onde os sujeitos se organizam e organizam o próprio espaço.


Pensando no território como lugar de significados, podemos definir como produção histórica ligada não apenas à posição e ocupação geográfica, mas, principalmente, na relação existente entre as identidades étnicas, familiares e sociais; e assim, a significação dos lugares remete ao pertencimento como elemento territorial, e à construção das identidades locais. Tais identidades resguardam a multiplicidade dos territórios vividos, e o trânsito entre os espaços distintos produz, por sua vez, o múltiplo pertencimento e uma multiplicidade do território.

A noção de redes de sociabilidade fazem relação com os espaços de sociabilidade ou com a territorialidade. No caso dos serviços de saúde e educação, a noção de rede se estende da integração dos serviços para a integração com o território da comunidade, da família e outros territórios vividos pelos usuários, considerando uma perspectiva totalizante dessas diferentes dimensões sociais.
O estabelecimento de redes permite outra reflexão acerca do território, que identificam as redes de sociabilidade como espaços privilegiados para a afirmação e “autodefinição” das identidades, constituindo-se um elemento de inclusão. Na medida em que os jovens se apropriam dos múltiplos territórios que experenciam, mais complexas se tornam suas identidades e territorialidades, como por exemplo, no caso da educação superior indígena, em que jovens se apropriam do espaço acadêmico e do espaço urbano, sem com isso ignorar o “pertencimento étnico-comunitário” e, posteriormente, estes jovens retornam às suas aldeias como profissionais indígenas, estabelecendo novas relações com a comunidade.

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