OS FILÓSOFOS HELENÍSTICOS E A RELAÇÃO DA ÉTICA COM A FELICIDADE

O termo “helenístico” é usado para se referir à civilização que utilizava o grego como língua oficial a partir das conquistas de Alexandre, o Grande, em 336 a.C., até o domínio romano sobre a Grécia antiga, em 146 a.C, ou até o domínio romano sobre o Egito, em 30 a.C. Com a expansão de Felipe II e Alexandre, o Grande, as cidades gregas perderam grande parte da autonomia e passaram a ser parte de um império.

Depois da morte de Alexandre, sem herdeiros, o império entrou em decadência e se dividiu em três reinos. Os reinos helenísticos (macedônicos, selêucidas e ptolomaico) concentravam o poder no soberano absoluto com uma corte vasta e uma poderosa burocracia – algo que, aliás, inexistia na Grécia clássica. As assembleias democráticas desapareceram, e a terra e a manufatura (cerveja, têxteis, papiro ou óleo) tornaram-se monopólio estatal. Uma série de golpes e contragolpes se sucedeu, e esses Estados logo se fragmentaram e foram paulatinamente anexados, nos séculos II e I a.C., pelos romanos.

No mundo helenístico há, no entanto, um fenômeno mais impressionante do que qualquer batalha de Alexandre: gregos, egípcios, persas, hebreus, mesopotâmicos e hindus, culturas tão ricas e distintas, passaram a ter contato.

Surgia uma cultura nova, nem grega, nem oriental, mas híbrida, sincrética, sendo, por isso, chamada de cultura helenística. A língua grega tornou-se a “língua comum” em toda a região conquistada por Alexandre.

O modelo das cidades gregas era exportado para o Oriente: nos territórios conquistados, Alexandre construiu cerca de 70 cidades, sendo Alexandria, no Egito, a maior cidade da época, eixo econômico e intelectual do Mediterrâneo Oriental.

A filosofia helenística surge nesse contexto histórico. Ela é fortemente marcada por uma preocupação central com a ética, aqui entendida como o estabelecimento de regras do bem viver, da “arte de viver” . É ilustrativo disso o famoso Manual, do romano Epicteto (50-125). Em outras palavras, com o fim da pólis grega e o advento das hegemonias (macedônica, romana ou bizantina), o homem deixou de ser analisado em sua condição de “animal político” que deveria viver por sua cidadania.

Alijado da política ou desiludido com ela, passou a preocupar-se mais com sua felicidade pessoal. Num mundo pluralista e multicultural, ou seja, cosmopolita, o homem sentia-se desenraizado, e a pólis deixou de ser sua referência básica. A ataraxia (“paz de espírito” ou “tranquilidade”), e não a política, leva os homens à eudaimonia (“felicidade”).

Em vez de valorizar o autor (com exceções notáveis, tal qual Plotino, Zenão de Cítio, Epicuro ou Cícero), o pensamento no mundo helenístico é usualmente associado a uma escola ou tradição. A originalidade, assim, tem menos valor que a vinculação a um grupo. Muitas escolas helenísticas, por isso, foram acusadas de dogmáticas e doutrinárias, por deixar de lado o aspecto polêmico e dialético da filosofia grega. Além do mais, elas são profundamente ecléticas, por sintetizar diferentes doutrinas. As principais escolas helenísticas são a Estoica e a Epicurista.

ÉTICA E POLÍTICA

O PRÍNCIPE – de Nicolau MAQUIAVEL

“A partir disso, aprendemos que um príncipe sábio faz com que nunca, para atacar alguém, ele se torne o aliado de um príncipe mais poderoso do que ele, exceto quando a necessidade o obriga, como eu disse acima. Se você vencer, você é o poderoso prisioneiro do rei, e os sábios príncipes evitam o máximo que podem no poder de outros homens. ”

Nicolau Maquiavel


Nascido em Florença, século XV, na península itálica, no ano de 1469, Nicolau Maquiavel viveu a política em momentos estáveis, “até 1494, graças aos esforços de Lourenço, O magnifico, a península experimentou uma certa tranquilidade, mas em seguida, nos últimos anos do mesmo século, iniciou-se a fase caótica, onde o lugar passara a enfrentar momentos de extrema desordem política, “a península tornou-se, então, o cenário de longas e ferozes lutas entre França, Espanha e o império Alemão, sendo atravessada por exércitos mercenários que levavam consigo violência, devastação e pestilências” isso fez com que Maquiavel se debruçasse sobre os problemas políticos existentes. A Itália não constituía uma país, mas várias cidades-estados, onde os governos eram extremamente instáveis, “ neste cenário conturbado, no qual a maior parte dos governantes não conseguiam se manter no poder por um período superior a dois meses” a política se desenhava como disputa pelo controle da força.

Como a Itália não era um estado nacional, era um local formado por várias republicas e principados, com a retomada da família Médici ao governo em 1502, Maquiavel, havia sido destituído das suas funções. Seu trabalho era voltado para questões diplomáticas, durante o governo de Pedro Sederini, o autor ficou numa posição privilegiada de espectador da vida política de sua época, porém, após sua destituição, passou a viver praticamente exilado, mas mesmo assim não deixou de lado sua preocupação com o cenário político em que vivia.

Maquiavel ansiava por uma organização política bem como a unificação da Itália, resolveu presentear o novo governante Lorenzo, com o livro “O Príncipe”, onde apresentou conselhos, destacando possibilidades e argumentos de como um príncipe pode alcançar o seu objetivo, frisando a chegada e manutenção do poder. Desta forma, os escritos de Maquiavel orientavam o leitor para algumas considerações a respeito da finalidade da conduta de um príncipe, isso quer dizer que, o governante deve buscar sua permanência no poder, utilizando-se dos meios necessários para isso.

Ao escrever sobre política na obra O príncipe, Maquiavel, rompe com as estruturas que existiam, no sentido de que havia uma maneira de se pensar política antes dele, e a partir do seu pensamento estava surgindo uma nova maneira de analisar a política, essa nova forma de pensar política se baseia em uma análise realista dos fatos, o que atualmente se chama de ciência. O autor lançou um olhar diferente para o fenômeno político, porque até então a política era analisada sobre uma ótica filosófica idealista.

O autor passou por uma transição de épocas em que o homem europeu saía da era medieval e ingressava no mundo moderno. Ele passou por uma transição conflituosa, marcada por um colapso moral. Nos seus escritos, Maquiavel afasta o pensamento religioso das organizações políticas, não defende que o homem tenha que deixar de ter fé em Deus, mas o autor explica que a igreja também é uma instituição humana, o seu trabalho não pode ter relação com o uso da força, força ostensiva, esta pertencente ao Estado, a igreja precisa se reservar ao mundo humano no sentido de preparar as pessoas para outra dimensão, nesse sentido a religião cristã e política precisavam se separar.

É no renascimento que ocorre um conjunto de transformações históricas, sendo a mudança política a última a acontecer. Foi o fechamento do poder nas mãos do monarca moderno, o homem recupera o espaço que ele tinha antes da entrada da Idade Média, que havia sido substituído pelo teocentrismo, pela ideia de que Deus está no centro, e o homem ficava à mercê de Deus. Maquiavel apresenta uma desvinculação de abordagens filosóficas de políticas tradicionais, onde o raciocínio era fundado em aspectos especulativos, e, partindo do seu método de estudo realista, busca uma efetividade nas ações dos homens, com isso desprende-se política da ética, moral e religião:

O homem deve, portanto, compreender que por vezes será necessário praticar a maldade, a dissimulação, a simulação, a mesquinhez, dentre outras categorias menos nobres de comportamento tão contrárias ao mundo cristão. Mas é assim que fica demonstrada a lógica própria da política, diferente da moralidade e da religião. Trata-se de conquistar e manter Estados e as práticas adequadas a esse intento não residem nos manuais da antiguidade clássica ou as doutrinas cristãs”

(GUANABARA, 2011, p. 33)

Com a Itália fragmentada, havendo uma forte disputa interna, Maquiavel percebe a necessidade de uma organização política e centralização do poder, pois o fato de estarem dispersos internamente, ocasionaria a fraqueza diante do exterior, a ideia era tornar forte todo o território para transformá-lo em único reino, e para tanto, o autor olha para a realidade e utiliza-se do método realista, quer dizer que, a realidade deve ser examinada como ela é, e não como se gostaria que ela fosse, a forma idealista de se pensar ficara no passado e não funcionava mais como base para os ditames políticos modernos. Resolver o problema da instabilidade política era o objetivo de Maquiavel, superar o desequilíbrio entre o caos e a ordem. A necessidade de examinar a realidade como ela é, é a essência do realismo político de Maquiavel.

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