Diversidade brasileira: desigualdade social

A população brasileira: diversidade nacional e regional

A diversidade sociocultural que existe em nosso país está também relacionada com a reflexão sobre a questão da raça, das etnias e do preconceito, bem como com a migração e do estrangeiro. É importante o desenvolvimento de um olhar crítico sobre a diversidade sociocultural brasileira e, com base nesse olhar, urge refletir sobre a própria realidade. Pode-se abordar o tema da diversidade sociocultural sob os mais diferentes pontos de vista: histórico, geográfico, socioeconômico, entre outros. Aqui, porém, enfocaremos a diversidade sob a perspectiva sociológica, estabelecendo, sempre que possível, um diálogo com outras disciplinas. Para tanto, a proposta de iniciar com uma reflexão sobre a diversidade brasileira para depois refletir sobre as tensões na formação dessa diversidade faz-se necessária.


Compreendemos que a questão da diversidade não poderá ser esgotada aqui. Ela é o eixo transversal que corta a discussão sobre cultura, sobre o mercado de trabalho ou sobre a questão da violência. No que tange à formação de nossa diversidade sociocultural, abordaremos a migração, refletindo sobre os motivos que levam os indivíduos a deixar o seu lugar de nascimento. É importante que tomemos consciência de que a construção da diversidade não se dá de forma tranquila e que disputas por poder estão, muitas vezes, camufladas por trás de certas atitudes.


Para abordarmos a questão da diversidade sociocultural brasileira, trazemos pesquisas estatísticas com dados socioeconômicos, apresentando números das diversas regiões do país, de modo a possibilitar uma comparação com os dados relativos ao Brasil.

A diversidade é construída, muitas vezes, com base na desigualdade de condições de vida. A questão da diversidade nacional e regional pode ser pensada tanto no âmbito cultural como por meio do estudo de fatores socioeconômicos que condicionam o maior ou menor acesso a: educação, rendimentos, saneamento e energia elétrica. O tema da diversidade é muito amplo e pode ser abordado sob os mais diferentes pontos de vista.



Diversidade social brasileira


Ter maior consciência da diversidade social brasileira é imprescindível para conhecer nosso país. Observe como é grande a diversidade social no Brasil, não apenas entre as regiões, como em um mesmo município. Discutiremos, portanto a diversidade social no país com base nos dados das tabelas apresentadas a seguir referentes às condições de vida da população brasileira. Para tanto, utilizaremos os seguintes indicadores:

Rendimento – Famílias por classes de rendimento médio mensal familiar per capita (%).

Educação – Taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade por sexo (%).

Saneamento e luz elétrica – Domicílios por condição de saneamento e luz elétrica (%).

Veja na tabela, o rendimento por família, a seguir:

  1. Rendimento – Famílias por classes de rendimento médio familiar per capita (%)

¹ As porcentagens apresentadas não somam 100%, pois a coluna “sem declaração” não foi utilizada na análise. A tabela completa pode ser acessada na página do IBGE: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv62715.pdf
² SM: salário mínimo. Tabela de valores do salário mínimo de 1940 a 2020

Do ponto de vista dos rendimentos médios mensais familiares, as regiões do país apresentam entre si grande diversidade de situações e que em todas as regiões também há, internamente, uma diversidade muito grande em termos de rendimentos.


Vale ressaltar que a tabela apresentada aqui não é plenamente satisfatória para análise e compreensão da realidade social em sua totalidade, principalmente no que se refere à disparidade de rendimento entre as regiões. Você pode, diante disso, complementar a leitura crítica dos dados, buscando aprofundar o conteúdo com outras fontes e outros recursos didáticos. Veja agora a taxa de analfabetismo expressa na tabela abaixo:

2. Educação – Taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade por sexo (%) – e 1999 a 2011

¹ Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Pará e Amapá
² Exclusive a população rural
Fonte de dados IBGE: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1999 Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009/2011

Pode-se concluir, portanto, que as taxas de analfabetismo, por sexo, variam mais entre as regiões do que em uma mesma região. À exceção do Nordeste, cuja variação de analfabetos entre os sexos ficou em torno de 4,1% em 1999, diminuindo para 3,1% em 2011. Nas demais regiões essa variação não chega a 2%, mesmo após os períodos citados. Os números representam um bom progresso do país na busca pela erradicação do analfabetismo, mas ainda percebemos claramente as desigualdades vigentes entre as regiões, como o fato de que quase um em cada cinco homens no Nordeste é analfabeto. Veja agora a taxa de saneamento básico e luz elétrica e expressa na tabela abaixo:

3. Saneamento e luz elétrica – Domicílios por condição de saneamento e luz elétrica (%)

¹ Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Pará e Amapá
² Exclusive a população rural
Fonte de dados IBGE: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1999 Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009/2011

Para saneamento e luz elétrica, pode-se dizer que o principal problema do Brasil em termos de saneamento é o esgotamento básico, pois em 1999 apenas 52,8% dos domicílios tinham esgoto e fossa séptica. Em 2011 esse número subiu apenas 2,1% (54,9% em 2011).

Como se pode ver, esse é o item com as piores porcentagens em todas as regiões do país, chegando até a cair de um período para o outro, como no caso da região Norte (de 14,8% em 1999, para 13% em 2011). Além disso, há uma disparidade muito grande entre as diferentes regiões, situação ocultada pela média brasileira.

A região com as mais altas taxas de cobertura de esgotamento é a Sudeste, com 79,6% em 1999 e 82,4% em 2011. A região com dados mais próximos aos da Sudeste é a Sul, mesmo que ainda de longe, com 44,6% em 1999, porém, apresentando uma baixa em fornecimento desse serviço para 2011 (35,7%).


Na pior posição encontra-se a região Norte, como já citado, com apenas 14,8% dos domicílios com rede de esgoto em 1999 e 13% em 2011. No item “lixo coletado”, percebemos um avanço da região Nordeste, passando de 59,7% em um período para 77,3% no outro, chegando assim a superar a região Norte, cuja porcentagem foi de 75,8% em 2011.

A diferença na porcentagem de coleta de lixo entre a região Sudeste para a região Norte, no último período considerado, é de mais de 20%, o que mostra a diferença entre as regiões. A luz elétrica é o item com melhores porcentagens em todas as regiões, superando 95% dos domicílios atendidos. Destaca-se o salto da região Nordeste, que obteve um progresso de 13% nesse serviço básico. Vale a pena destacar, mais uma vez, que há uma diferença significativa entre as regiões do país. A região Nordeste, que antes apresentava as piores porcentagens para quase todos os três itens analisados, em 2011 conquistou melhorias em todos os serviços, ao passo que a região Norte apresentou piora em todos os aspectos analisados.


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